Porto Alegre, 25 de abril de 2017
Maurício Dziedricki alerta para riscos da obesidade infantil
Escrito por Olga Arnt/ALRS   

 

Maurício Bertani/ALRS

O deputado Maurício Dziedricki (PTB) abordou o tema da obesidade infantil no Grande Expediente da sessão plenária da tarde desta quinta-feira (6). Segundo ele, em Porto Alegre 33,9% das crianças apresentam sobrepeso e, em outras cidades do interior, o índice já ultrapassa a casa dos 40%, como é o caso do município de Estrela, localizado no Vale do Taquari. No Rio Grande do Sul, 15% das crianças de 5 a 9 anos têm obesidade, conforme os dados citados pelo parlamentar. “Uma criança obesa tem grande chance de se tornar um adulto obeso e de, no futuro, engrossar as filas do Sistema Único de Saúde”, apontou.

 

Autor do projeto de lei que institui o cadastro de obesidade infantojuvenil no Rio Grande do Sul (PL 40 2017), o parlamentar defendeu a adoção de uma abordagem preventiva para conter o avanço da doença. “Cada dólar aplicado na prevenção equivale a uma economia de três dólares na reação”, contabilizou.

 

O problema, na sua visão, deve ser enfrentado não apenas pela saúde pública, mas pela família e a escola. “Mudar comportamentos é a chave para enfrentar a obesidade infantil. E os adultos devem dar o exemplo”, ponderou, lembrando campanha da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, que chama a atenção para a influência dos hábitos dos pais no surgimento de doenças nos filhos.

 

Segundo o parlamentar, nas famílias onde os dois pais são obesos, o risco dos filhos desenvolverem a doença é de 80%. Quando apenas um pai é obeso, o percentual é de 50%. E quando nenhum deles desenvolveu a doença, o risco dos filhos tornarem-se obesos é de apenas 10%.

 

Na tribuna, Dziedricki lembrou que a obesidade é a segunda causa de entrada no SUS. A doença está relacionada ao modo de vida moderno, em que o sedentarismo e a alimentação altamente processada fazem parte do cotidiano da população. Até a insegurança interfere no problema. “O ambiente urbano não favorece as brincadeiras de rua. É mais seguro manter as crianças dentro de casa, na frente da tevê ou do computador. E mais fácil oferecer um pacote de salgadinho ou outro alimento industrializado”, afirmou, revelando que um simples achocolatado contém mais de 20 colheres de açúcar.

 

Ele alertou também que a obesidade é uma das principais causas de diabetes, hipertensão e de cardiopatias.

 

Projeto de lei

O projeto apresentado pelo parlamentar prevê a realização de avaliação antropométrica para verificação do estado nutricional e triagem de risco para doenças crônico não-transmissíveis nos alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio das escolas do Estado. A proposta determina que as escolas deverão realizar, nos primeiros 30 dias de cada ano letivo, de forma individualizada, a avaliação constituída de medidas de massa corporal, estatura e circunferência abdominal.

 

Com base nos dados obtidos, a instituição alimentará o cadastro de obesidade infantojuvenil, identificando os alunos com baixo peso, sobrepeso e obesidade. As informações deverão ser remetidas às Coordenadorias Regionais de Educação e de Saúde da respectiva área geográfica em que a escola estiver instalada. Os dados de cada escola serão unificados pelo Estado.

 

No dia 3 de maio, a Comissão de Saúde e Meio Ambiente e a Comissão de Educação promoverão, por solicitação de Dziedricki, uma audiência pública para discutir o tema.

 

Também se pronunciaram, no período do Grande Expediente, por meio de apartes, os deputados Elton Weber (PSB) e Valmir Zanchin (PMDB). Ainda o presidente da Casa, Edegar Pretto (PT), parabenizou Dziedricki pela iniciativa de trazer o tema para a discussão e anunciou que a questão da alimentação para a saúde deve ser um dos temas a serem discutidos pela AL, este ano, nos Grandes Debates.